As revisões da literatura variam quanto aos seus objetivos, rigor metodológico e métodos utilizados. A seguir, são apresentados os principais tipos, suas características, aplicações, pontos fortes e limitações.
1. Revisão Narrativa (Tradicional)
Uma visão geral, ampla e descritiva de determinado tema, que sintetiza pesquisas existentes de maneira flexível e temática. Não segue um protocolo rigoroso de busca, sendo, portanto, mais fácil de elaborar, mas também mais suscetível aos vieses do pesquisador.
Mais indicada para: capítulos de fundamentação teórica, dissertações, teses e familiarização com determinado campo de conhecimento.
Ponto forte: flexibilidade e adequação à contextualização e à discussão teórica.
Limitação: seleção subjetiva das fontes e baixa reprodutibilidade.
2. Revisão Sistemática da Literatura
Uma revisão rigorosa, orientada por protocolo, que utiliza critérios explícitos para identificar, avaliar e sintetizar os estudos relevantes sobre uma questão de pesquisa específica. As buscas são documentadas e reproduzíveis, frequentemente seguindo as diretrizes PRISMA.
Mais indicada para: responder a questões específicas de pesquisa e subsidiar práticas profissionais ou políticas públicas.
Ponto forte: transparência, redução de vieses e possibilidade de replicação.
Limitação: exige tempo considerável e uma questão de pesquisa bem delimitada.
3. Meta-análise
Uma extensão estatística da revisão sistemática que combina resultados quantitativos de múltiplos estudos para calcular uma medida global do tamanho do efeito.
Mais indicada para: determinar a magnitude de determinado efeito em diferentes estudos.
Ponto forte: maior poder estatístico.
Limitação: exige estudos quantitativos comparáveis e é sensível ao viés de publicação.
4. Revisão de Escopo (Scoping Review)
Mapeia a amplitude das pesquisas existentes sobre determinado tema, identificando conceitos fundamentais, tipos de evidências e lacunas do conhecimento. Geralmente, apresenta menor ênfase na avaliação da qualidade metodológica dos estudos do que uma revisão sistemática. Pode ser orientada pelo PRISMA-ScR ou pelo modelo de Arksey e O'Malley.
Mais indicada para: temas emergentes ou abrangentes e avaliação da viabilidade de uma futura revisão sistemática.
Ponto forte: permite visualizar o panorama das pesquisas e identificar lacunas.
Limitação: não tem como objetivo principal avaliar a efetividade das intervenções.
5. Revisão Integrativa
Combina e sintetiza diferentes desenhos de pesquisa, incluindo estudos quantitativos, qualitativos e teóricos, para desenvolver uma compreensão abrangente de determinado fenômeno ou construir um novo modelo conceitual.
Mais indicada para: questões complexas e desenvolvimento de teorias, sendo frequente nas áreas de enfermagem e ciências sociais.
Ponto forte: incorpora diferentes tipos de evidências.
Limitação: a síntese dos resultados apresenta elevada complexidade metodológica.
6. Revisão Crítica
Vai além da simples síntese da literatura, avaliando a qualidade e as contribuições dos estudos existentes, questionando pressupostos e propondo novas interpretações.
Mais indicada para: desenvolver e aprofundar uma argumentação conceitual.
Ponto forte: profundidade analítica.

